Su & Je

As aventuras de uma família de imigrantes vivendo no Canadá

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Rebecca na escolinha

Publicado por: Jeison em 12 de novembro de 2010

Bom, completou-se duas semanas que nossa filha está indo numa «garderie» (a escolinha ou creche daqui), e alguns que estão próximos sabem outros não, mas foi uma quinzena bem difícil para nos três.

Já fazia um bom tempo que procurávamos uma garderie para a Rebecca, por N motivos, entre eles para ela realmente começar a aprender o francês e se socializar, para liberar a Susana para poder estudar, trabalhar e fazer outras coisas… Mas aqui, conseguir vaga em garderie é algo impossível, ok, há vagas em meio familiar, mas isso é uma loteria e não quero colocar nossa filha nisso nem a pau…

Meio familiar, é uma familia que para poder ter uma renda extra, já que a esposa não trabalha, pega um dos cômodos da casa e transforma em um local para eles cuidarem das crianças, parece que por lei cada adulto pode cuidar de no máximo 6 crianças. Algumas dessas até prosperam um pouco e contratam funcionários para poder ter mais crianças. Mas já escutei falar muito mal de algumas (muitas) e bem de outras (poucas), então preferi não arriscar com a Rebecca, ficamos mesmo procurando as garderies subsidiadas pelo governo, onde você para somente $7.00 por dia, isso mesmo $140.00 dolares por mês, de graça mesmo não tem !!! Ou garderie privadas, onde o custo varia normalmente a partir de $25.00 por dia. Mas mesmo nas privadas, perto de casa não achamos nada, nada mesmo, todas lotadas, quando fiquei sabendo de uma nova garderie que abriria numa cidade vizinha aqui* (nota no rodapé), e fomos la conhecer, a garderie estava em obras, era uma casa de três andares usada como escola de dança e academia, que estava toda em reforma ainda, a Susana não botou muita fé que estaria pronta até dia 01/11, essa visita fizemos em 30/09, faltavam apenas 30 dias e não tinha nem piso direito, mas eu acreditei na lábia de um dos donos, jovem, com alargadores na orelha, mas que falava muito bem, um vendedor nato ! Prometeu mil coisas, desde aula de circo, karate, passando por muro de escalada e introdução musical, bom, estamos falando de crianças de 2 a 5 anos de idade, achei tudo muito ótimo, não tínhamos nem um quinto disto no Brasil, vamos pagar pra ver… E pagar caro, essa nos sai a $37.00 por dia !!! Nem façam as contas para nao tomar susto !! Mas a Rebecca e a Susana não podiam mais ficar em casa. Em teoria, vamos receber uma parte desse valor, parece que até um teto de $25.00, então teoricamente, pagamos $12.00 por dia para nossa filha ir pra escola. Digo em teoria, pois ainda não sei como isso tudo funciona direito, ainda não vimos a cor de nenhum reembolso, estamos pagando 100% ainda. Parece que existem duas formas de reembolso, como a Susana foi finalmente chamada para fazer a francisação (outra novela pra contar depois) ela tem direito a esse reembolso, pois como ninguém pode ficar em casa com a Rebecca, além da bolsa de estudos eles vão acrescentar esse valor no cheque dela, mas ainda falta eu conseguir no trabalho um atestado que eu realmente trabalho, eu entreguei um modelo para o meu coordenador, que passou para o diretor, que passou pro RH, que nem sei mas onde esta. Parece que por ser um órgão publico não é qualquer um que pode assinar um documento como este. Feito isso, temos que devolver tudo isso no Cégep (escola da Susana – Collège d’enseignement général et professionnel (http://www.cegep-ste-foy.qc.ca)) que eles mesmo se encarregam de fazer este reembolso chegar.

Parece que existe um outro reembolso, que na verdade é uma espécie de restituição adiantada do imposto de renda, onde também vem uma parte desse dinheiro, mas pelo que entendi, é um ou outro, preciso conversar com amigos que estão a mais tempo aqui e que passaram por alguma situacao parecida.

Bom, esquecendo as contas, vamos falar da escolinha mesmo, dia 31/10 fomos la com a Rebecca, pois eles marcaram uma acolhida e apresentação dos professores de cada turma, ficamos bem impressionados com o prédio pronto, a escola ficou linda, tudo funcionando e melhor do que eu imaginei quando o Dan (um dos donos) apresentou a “idéia” da escola para nos. Estava cheio de gente, a Rebecca brincou, mas ainda bem tímida com as outras crianças, até ficou um hora inteira só com a professora enquanto os pais acompanhavam umas explicações do dono da escola. Pensei que ia ser moleza então. Nos dois primeiros dias, até foi, ela estava super empolgada com a idéia de ir pra escolinha, voltou bem contente, animada, etc… Mas ja no terceiro dia, não queria mais ir, chorava, não entendia porque não podia ficar em casa, teve que ficar nos braços da professora porque não me deixava ir embora. Na quinta (4° dia) foi o pior dia pra mim, ela começou a chorar e implorar para não ir desde o momento que acordou, foi de casa até a garderie chorando e reclamando, lá nem deixou eu troca-la direito, pois ela sabia que esses eram os passos antes de eu ir embora, tirar sapato, etc… A professora teve que segura-la com força pra eu poder sair, a Rebecca estava roxa de tanto gritar e chorar pra eu não deixa-la la. Entrei no carro e desabei, não consegui sair de la, fiquei chorando mesmo uns 15 minutos, liguei pra Susana, e só depois disso que pude ir trabalhar, digo, ir pro trabalho, porque trabalhar direito mesmo, eu não pude naquele dia. Quando peguei ela, ela chorou muito ao me ver, disse que eu demorei, etc… Fui com ela no shopping, e comprei um pequeno Lego pra ela, pra idade dela, chegou em casa, brincamos bastante, ela adorou. Conversamos bastante com ela, todos os dias, para ter certeza que a escolinha é tão boa quanto aparenta, e ela diz que são todos pacientes com ela, que a professora é boazinha, os amiguinhos, todo mundo é bonzinho com ela, perguntamos se ela come a comida, etc… Acredito que essa é a fase da adaptação, ela acabou de passar seis meses com o pai e a mãe grudados 24 horas por dia com ela, e de repente, ela passa a maior parte do dia dela com estranhos, que não falam a língua dela, e que ela não entende o que eles estão dizendo. Deve estar sendo horrível pra ela. Na sexta-feira (5° dia), ela até sonhou com a escolinha, porque antes dela acordar, já escutei ela resmungando falando que nao quer ir na escola, sonhando… Com isso ja comecei a ficar mal denovo, acordamos e no carro, eu prometi a ela que se ela ficasse boazinha eu compraria um Lego bem grande pra ela. Na escola, na hora de troca-la ela tava chorando, nao queria ficar, mas eu reforcei a promessa e ela engolia o choro, pensando no brinquedo. Entrou sozinha na sala, chorando, entrou e sentou num canto, nem foi nos brinquedos… Fui embora, sabendo que teria que cumprir a promessa, e assim foi feito, a Susana chegou em casa e quebrou o pau comigo, que eu nao deveria ter feito isso, que alem de gastar dinheiro, estava acostumando ela mal… Eu sei, sou de acordo também, mas o que eu poderia fazer, eu tinha passado dois dias horriveis também. E a Su por tabela também. O final de semana passamos todos bem proximos e aproveitamos bastante. Conversamos mais com ela, sobre a escolinha, explicamos que todas as crianças tem que ir na escolinha, até pedimos para o Ricardinho (amiguinho dela, filho de um casal amigo e vizinhos nosso, entre nos adultos até brincamos que é o namoradinho dela de tanto que os dois se gostam) que é um ano mais velho que ela para explicar pra ela que ele também ter que ir na escolinha e que ele gosta… Bom, a segunda e a terça foi meio complicado, nem tanto quanto na semana passada, mas ela ficou mais conformada eu diria. Ela chora agora só quando vou busca-la, ela diz que eu demorei muito, ve se pode !!!! Pior que pro nosso azar, esse final de semana mudou o horário aqui, entramos no horário de inverno, e com isso começa a escurecer as 16:30 e as 17:00 já esta bem escuro, e a Rebecca não vai entender isso tao assim cedo, na cabeça dela, eu tenho ido buscar ela a noite !!! Ela chora de perder a fala e quando recupera só diz: Porque demorou tanto ? Já esta de noite !!!!  Porque ??  E pior que o mais cedo que eu consigo sair do trabalho é umas 15:30, mas para isso, teria que entrar as 07:30 da manha, mas esse é o horário que temos saido de casa, então só chego na garderie entre 16:00, 16:30, quando já esta começando a escurecer, vai explicar pra uma criança que 4 da tarde não é noite, sendo que ela olha pro céu e vê noite !!!  ai ai ai…

Ontem aconteceu algo muuuuuuuuuuuito legal, eu fiquei chocado. Temos uma vizinha que é meio tan tan (lélé da cuca mesmo), mas boazinha, mala, mas tem bom coração. Bom, ela apareceu em casa, e eu abri a porta, ela tava com uma boneca na mão, e disse que tinha um cadeau (presente) para a Rebecca, e eu chamei a Rebecca, e ela começou a falar com a Rebecca, eu não sei porque, afinal de contas, ela sabia que a Rebecca não fala nada de francês, mas eu deixei ela falar, é meio doida, mas se isso faz bem pra ela, que mal tem… (tudo isso na porta de casa) Mas não é que teve uma hora que ela disse para a Rebecca lavar a mão para não sujar a boneca (tudo em francês, eu nem sei como dizer isso, eu entendi mas não sei reproduzir), e na mesma hora que ela disse isso, a Rebecca saiu correndo, foi no banheiro, lavou a mão e voltou !!!  Eu fiquei chocado !!! Eu perguntei pra Rebecca se ela tinha entendido o que a senhora falou, afinal de contas, é uma pessoa diferente, tem um sotaque diferente e forte, mesmo que a professora use essa frase na escolinha (lavar as mãos), a professora fala devagar, com calma, e faz parte da rotina da Rebecca, que ela nem se acostumou ainda, mas ela sabe as horas que tem que lavas as mãos na escolinha, mas em casa, a Rebecca nao estava esperando essa frase, e a ela também não é de obedecer assim tão instantaneamente, ainda mais se ela queria pegar a boneca, mas ela obedeceu e disse que entendeu sim o que ela falou !!! WOW !!!

Esses dias ela chegou pra mim e disse: E cachorro, como é que é ?? É chien !  Depois de me recuperar do susto, disse: muito bem, é chien sim, parabéns !!!

Nos brincamos assim com ela: Como é “tal coisa” em francês ? E ela responde: Como que é ?, é XXXXX !!  Quando ela não sabe, ela fica quieta. Mas o vocabulário dela era limitado a  água, copo, copo d’água, xixi, cocô e vermelho. Esses dias já percebi que posso acrescentar a essa lista Cavalo e Cachorro. E já vi que tem coisas que ela não consegue responder, mas que ela entende o que é. Muito loco essa evolução toda… E isso que só fazem 8 dias com hoje que ela vai para a escola… Tô meio besta ainda…

Bom, é isso, vou finalizar por aqui esse post, estou muito contente em ver que era (é) uma fase de adaptação dela, a cada dia que passa ela esta melhor, mais adaptada, converso com a professora dela quase todo dia, e ela sempre (depois daqueles dias iniciais terríveis) me dá bom feedback, dizendo que ela já interage mais, já conversa pequenas coisas em francês, ou em português mesmo com os amiguinhos, esta cada dia mais participativa., muito bom… Logo logo ela estará dando aulas para a gente.

Abraços a todos, até a próxima

* Quebec é composta por diversas cidades que se fundiram em 2006. A Rebecca estuda em Sainte-Emille, mas aqui é tudo bem perto (para quem veio de SP), e fica apenas a 10 minutos do meu trabalho que é em Quebec no bairro de Charlesbourg. Ao todo, entre sair de casa, deixar a Susana no Cégep, ir até Ste-Emille deixar a Rebecca, entrar na escolinha pra ajudar ela a tirar a bota e as roupas mais pesadas de frio e colocar o calçado e “interior” (tenis) pendurar mochila e entrar na sala dela, depois ir pro trabalho, tudo isso da cerca de 1 hora exata.  O google maps calculou 36 minutos num percurso de 25,2 kms, mas sem as paradas. Até que não é nada assim tão absurdo, pensando que eu levava quase isso em SP, detalhe: de moto, num percurso de 12,5 kms (menos da metade!!). Eu estou achando tudo isso bem tranquilo por enquanto, quando a neve chegar aqui de verdade eu conto se ainda tah tranquilo.

 

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Mont Sainte-Anne

Publicado por: Jeison em 10 de outubro de 2010

Hoje fomos fazer uma passeio no monte Sainte-Anne, fica a cerca de 50 kms aqui de casa, para quem quiser conhecer mais, tem uns links no final do post.

Lá é um parque muito lindo durante a temporada do verão, muito verde, trilhas e atividades. Durante o inverno funciona como estação de ski e snow, ainda conhecemos pouco, mas pretendemos voltar, pelo que constatamos, tem diversas pistas e dá pra alugar equipamento lá no local, que é nossa idéia, pois somos iniciantes e não temos a menor noção de qual equipamento comprar…

Nós fomos lá para ver a mudança das cores das arvores, mas a mudança já tinha ocorrido, é engraçado, foi muuuuuuuuito mais rápido do que imaginávamos, em cerca de 15 dias, tudo já mudou do verde pro vermelho. Como demoramos muito mais tempo que isso pra irmos ao parque, pegamos a época da queda das folhas, que é bem bonita também, haviam arvores vermelhas e outras peladas totalmente… O chão todo coberto por folhas secas davam o acabamento na paisagem deslumbrante, valeu muito a pena ter ido…

Algumas fotinhos,

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Abraços

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Links

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1° Dia de trabalho

Publicado por: Jeison em 4 de outubro de 2010

Bom,

Hoje foi meu primeiro dia de emprego aqui, não efetivamente o primeiro, mas o primeiro como analista de sistemas, que é o que eu sou, mas não efetivamente como analista também, afinal, estarei fazendo um estágio por seis meses, para só depois talvez ser contratado em definitivo.

Para quem não sabia, faz mais de um mês que tenho trabalhado na cozinha de um restaurante na pré-preparação de alimentos que vão para os cozinheiros, é um restaurante grande com três filiais e tem bastante coisa pra se fazer lá, e é bem divertido além de dar uma renda para ajudar a se manter por aqui.

Mas hoje comecei a trabalhar para a prefeitura aqui da cidade do Québec, a principio era para ser como analista, participei de processo seletivo durante dois meses, e na hora H, a mulher do RH disse que só poderiam me contratar como estagiário, pois meu francês ainda não estava tão bom assim, e que se eu fosse bem durante os seis primeiros meses, a vaga seria minha com o salário integral. Aceitei, melhor que nada e já dá pra praticar o francês, e já ganho uma bela duma experiência no mercado de trabalho, o que me facilitará de conseguir um outro emprego caso eles não me contratarem.

Como todo primeiro dia, foi totalmente bizarro (* ver nota) o dia. Cheguei lá um pouco antes da 8:30, horário previsto para começar a trabalhar e a pessoa que deveria me receber não estava. Fui recebido por um senhor bem simpático, se apresentou e foi me mostrando as salas, as pessoas, e quem era quem, atividade que até hoje eu não entendo bem porque existe, afinal, quem é que consegue decorar o nome de umas 20 pessoas em menos de meia hora, e ainda decorar seus cargos e imaginar tudo isso dentro de um organograma que você tenta montar em sua mente ??? Resumindo, conheci muita gente que eu não sei o nome mais e nem o que fazem !!!

Depois disso, ele me apresentou a minha sala, onde eu já tinha um computador, já tinha um ramal, já tinha usuário, senha, email, tudo configurado e funcionando perfeitamente, eu fiquei besta, é a primeira vez que me acontece isso… Normalmente fica-se uns 2 dias sem computador, depois mais uns 2 sem login, e pra instalarem tudo, leva-se mais de uma semana. Hoje até me senti importante !!! kkkk Pra não dizer que estava tudo perfeito, o computador não estava com o Visual Studio instalado (programa que uso no desenvolvimento de softwares), mas logo após o almoço, tudo resolvido…

A coisa que mais estranhei, foi ter que utilizar teclado em francês, é completamente diferente, muito bizarro*, não tem muitos acentos, e o de lá não dá nem para configurar em modo inglês, aqui no note, pelo menos o teclado é bilingue. Outra coisa que estranhei muito foi o Visual Studio em francês, poxa, pelo menos esse software poderia sem em inglês né ?? Mas, enfim…

Após meu almoço que foi muffin de blueberry + maçã, afinal, não sabia como seria o almoço, fiquei meio sem saber o que levar, mas tem dois microondas e geladeira, então dá pra levar comida normal, só tenho que comprar um tupperware marmita… Bom, após o almoço, tive uma reunião de umas duas horas, reunião de equipe para discutir os projetos em andamento, cara, eu já estava sentindo frio na minha sala, mas suportável, e sono, passei a manhã toda lendo arquivos do tipo padrões de programação usados, etc… Na sala de reunião o ar estava tão gelado que comecei até a perder os sentidos nas mãos, e o assunto que os caras estavam falando já não diziam mais respeito ao projeto que estou alocado, ou seja, assunto chato em francês, com piadinhas em francês, o diretor lá, acho que é do interior do Québec, que sotaquezinho difícil de entender, parece um pato falando francês, o pessoal eu entendo uns 80% do que é dito, mas desse diretor, acho que só uns 40%, agora imaginem uma sala com uns seis québecas falando rápido e cada um com um sotaque diferente e fazendo piadinhas e trocadilhos, com um frio de lascar e morrendo de sono, meu nível de compreensão da conversa estava na casa dos 30%, só consegui pescar o assunto e pouca coisa que estava rolando, mas os detalhes, ahahaha, zero %….

Depois da reunião comecei a ver um pouco mais do que será o meu projeto, ainda não consegui formar uma idéia do que será, mas pelo que eu senti das expressões faciais (caretas) que as pessoas faziam quando era anunciado o que eu faria, imagino que a bucha será grande !!!

Amanhã o dia parece que será mais animado, pelo menos acho que vou começar realmente a trabalhar, ou pelo menos a planejar o trabalho. O problema é que o meu coordenador, que está me explicando o que devo fazer está super ocupado, e não tem muito tempo para se dedicar a mim, então o quanto antes eu ganhar um pouco de autonomia, melhor pra todo mundo…

Bom, é isso, adorei o local, as pessoas, todo mundo muito simpático e prestativo, espero que continue assim !!!

Abçs

* Todo primeiro dia é bizarro, mesmo no Brasil, essa coisa de fazer tour pela empresa, ser apresentado, não fazer a mínima idéia de quem é quem, é tudo muito estranho, ficamos totalmente deslocados e sem jeito…

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Resumo – 3 meses em Ville de Québec

Publicado por: Jeison em 30 de setembro de 2010

Isso mesmo, amanhã completaremos 3 meses que saímos de Montréal e nos mudamos para a cidade do Québec, que para quem não sabe, é a capital da província de mesmo nome, Québec.

Québec é a capital, mas para os padrões brasileiros ainda é uma cidade pequena, com cerca de 470 Km² e sua população na casa dos 500.000 habitantes, tem uma densidade de quase uma pessoa por Km². Se somarmos as cidades vizinhas, teremos uma população na área metropolitana de Québec chegando a 715.500 pelo senso de 2006. Aqui, no padrão deles já é uma cidade média-grande. Não achei informações mais atuais, mas não deve estar muito longe disto, se alguém tiver novos dados, por favor me mande o link.

A nossa impressão daqui, é de uma cidade pequena sim, mas bem aconchegante, muito segura, muito bonita, bem turística, mas as coisas demoram a acontecer, principalmente para quem veio da velocidade de São Paulo. Mas tem alguns problemas sim, aqui não tem um sistema de transporte público eficiente, ok, tem ônibus, mas se você mora de um lado da cidade e quer ir trabalhar do outro lado, com os ônibus você gastará quase duas horas pra fazer isso, mesmo pegando as linhas expressas, coisa que de carro você faz em menos de meia hora. Outro problema de infra-estrutura que vimos aqui, e que existe em Montréal também, são as pontes que entram e saem da cidade, Montréal por ser uma ilha, e aqui por ser a beira rio, existe muita gente que trabalha ou mora do outro lado do rio, e nos horários de pico, cria-se um verdadeiro congestionamento por causa que afunila todo mundo na ponte, que nos faz lembrar muito nossa cidade brasileira. E nós que não precisamos pegar a ponte, acabamos prejudicados pelo transito também. O bom aqui, é que o congestionamento é só nos horários de pico mesmo, uma hora mais tarde já está tudo livre e flui perfeitamente, não é como SP que até a meia noite ainda tem engarrafamento na Marginal !!! Há alguns projetos em votação para melhorar isso, entre eles um trem de superfície que formará um U saindo de Lévis, passando o rio, passando, cortando Québec, passando o rio novamente e terminando em St. Romuald, e com isso, espera-se diminuir muito a quantidade de carros cruzando a ponte no vai-vem do trabalho. Vamos ver se esse projeto sai do papel !
Um outro ponto de déficit, mas isso acho que é no Canadá todo, são as creches, é praticamente impossível encontrar uma creche subsidiada pelo governo com vagas abertas. Pra falar a verdade, está difícil até de arrumar vagas em creches particulares, e isso tem sido um problema muito grave para nós, que não queremos deixar nossa pequena numa dessas que eles dizem “em meio familiar”, que na verdade é uma familia normalmente de imigrantes também, que a esposa fica em casa e cuida de até 6 crianças, mas estas não tem um programa educativo nem nada do gênero, as crianças ficam só brincando, assistindo TV ou dormindo. Nos buscamos um lugar com cara de escolinha mesmo, onde ela possa evoluir, aprender mesmo que seja só o se comunicar em francês, mas está difícil isso, e se ela não estiver na creche, a Susana fica impedida de trabalhar, estudar ou qualquer outra coisa, pois fica presa em casa, o que é muito ruim pra nós…

Bom, agora que conhecem Québec, vamos falar de outras coisas…

Muitos perguntam ainda o motivo que nos levou a sair de Montréal e vir pra cá, bom, é bem complexo ou simples isso, e não quero influenciar a ninguém a seguir os meus passos, alias, esse foi o motivo que me levou a parar o blog por esses três últimos meses, não queria ninguém me seguindo, mesmo porque eu não sabia para onde estava indo… Mas o motivo pelo qual trocamos de cidade começou com nosso contrato de aluguel, assim que chegamos, pegamos um contrato de 3 meses que um amigo nos passou, ótimo apartamento, preço muito bom, bem localizado, perfeito para nós !!! Nós não sabíamos ao certo onde moraríamos após esses 3 meses, estávamos conhecendo a cidade ainda, e quando decidimos que poderíamos ficar lá por mais 1 ano, já era tarde demais, o apartamento já estava alugado para outra pessoa, só nos restou procurar outro apartamento, rodamos muito a cidade, muito mesmo, e não encontramos nada no mesmo padrão e preço, somente fora da ilha, mas ai tinha o problema da ponte, transito, etc… Não tínhamos saído de SP para enfrentar os mesmos problemas de novo, não ia pegar 1 hora de congestionamento na ponte pra ir pro trabalho. Paralelamente a este problema, não estava sendo tão fácil assim conseguir emprego quanto eu tinha em mente, as poucas entrevistas que fiz não deram frutos, sempre esbarrava no idioma que eu não dominava, e tinha que dominar os dois. E nossos amigos aqui de Québec estavam nos chamando, dizendo que aqui as coisas seriam mais fáceis. Nosso tempo de decisão estava se esgotando, não podíamos mais esperar pra nos decidir o que fazer, em um mês tínhamos que sair do apartamento, foi quando conseguimos um apartamento para alugar aqui em Québec, no mesmo prédio de nossos amigos, pronto, não dava mais pra pensar nem voltar atrás, novo contrato assinado, mudança planejada, tudo reservado, caminhão, etc etc etc… Foi isso que nos levou a mudar de Montréal pra cá, e por isso que não queria ninguém me seguindo, não foi algo totalmente “pensado”, simplesmente aconteceu assim… Hoje, olhando pra trás vejo que se eu tivesse ficado em Montréal, teria conseguido sim emprego e já estaria trabalhando, hoje vejo que não cheguei aqui na melhor época para conseguir emprego como havia imaginando quando ainda estava no Brasil, o boom das contratações acontece mesmo agora, entre Agosto e Setembro, e não, acho que a melhor época pra chegar seria em Junho/Julho, daria tempo de ver toda a documentação, procurar uma casa, e depois trabalhar, mas ai, vem outro problema, a época boa pra conseguir um bom imóvel é em Março/Abril, que sinuca hein ???

Voltando ao resumo, chegando aqui, passamos 1 mês em um apartamento temporário até podermos nos mudarmos para o apartamento definitivo no dia primeiro de Agosto, estamos morando em um apartamento um pouco menor do que tínhamos em Montréal, sentimos falta de espaço, mas tem suas vantagens, ficou mais organizado e mais fácil de limpar, mas ano que vem, queremos um dois quartos novamente. Nesse primeiro mês, transferimos todos nossos documentos para cá, pedimos a transferência da francisação para cá, assistimos todas as palestras do departamento de imigração, e aproveitamos muuuuuuuuito o festival de verão que rolou por aqui.
Agosto foi um mês crítico, nossas reservas financeiras acabaram, esperávamos o curso de francês que não chegou, e comecei a trabalhar na cozinha de um restaurante aos finais de semana pra começar a tentar equilibrar o dinheiro que saia com um pouco que entrava. Passamos um mês bem complicado, a bolsa e o curso de francês não saíram e as contas ainda estavam no negativo. Ai vem fulano e diz: Mas vocês não se planejaram, não previram o quanto iam gastar de dinheiro ?? Bom, é claro que me planejei, mas é complicado, não tinha planejado mudar de cidade, nem comprar um carro, mas foram necessidades que apareceram e fomos colocando o pescoço na forca sem perceber, na esperança de sermos logo chamados para o curso de francês e um pouco de dinheiro começar a entrar…
Em Setembro comecei a ir todos os dias para o restaurante, afinal não recebemos nenhuma boa notícia do governo no que diz respeito ao curso de francês, e dessa forma consegui respirar melhor e começar a acertar nossas contas. Outra boa notícia mas nem tanto assim, é que fui chamado para trabalhar na minha área para a prefeitura da cidade, fui aprovado num processo seletivo que começou em Junho, e o resultado saiu agora, em Setembro, mas não vou trabalhar como analista como eu queria, e sim num estágio em analise de sistemas, o salário não é muito bom, mas é um começo, é minha primeira experiência na área e tenho certeza que isso me abrirá muitas portas no futuro.
Agora em Outubro, começo o meu estágio, e a Susana fará um curso de francês gratuito, mas sem bolsa, pois a do governo ainda não chegou. Estamos conversando e provavelmente ela fará durante o inverno um curso de francês na faculdade de letras da universidade Laval, que fica aqui perto de casa, o bom, é que com esse curso podemos pedir uma bolsa que pode chegar a oitocentos dolares por mês, e dessa forma podemos unir o útil ao agradável.

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Mudança

Publicado por: Jeison em 29 de setembro de 2010

Calma,

Quero falar da mudança das cores e da estação.

Rebecca no parque

O verão se foi, e com o fim dele, foi o fim de vários eventos que estavam ocorrendo pela cidade, fim de festivais, fim do calor, mas já, sim… Após o último canicule (explicação traduzida do francês) que tivemos no início de setembro, a temperatura caiu drasticamente. Agora a temperatura tem uma média de 10 à 17 graus durante o dia, e tem caido bastante durante a noite, podendo chegar até a previsão de 1°C durante a madrugada do dia 4 de Outubro (fonte: Meteomedia).

Nossa rua

Estamos no outono, e com ele chegou a temporada de mudança de cores das arvores (explicação traduzida do francês), um fenômeno muito bonito, e que conseguimos perceber nitidamente sua ocorrência, pois a cada dia a paisagem tem se transformado, na rua, nos parques, cada vez que saímos de casa para ir passear ou para ir ao trabalho, percebemos que a paisagem mudou. Começou com uma mancha em uma arvore ou outra, aos poucos foi tomando a arvore toda, na outra semana já haviam mais e mais arvores descoloradas, e hoje, a cor predominante já não é mais o verde, e sim o vermelho e o amarelo, pois é, o relógio biológico das arvores aqui, funcionam direitinho…

Há vários parques que estão promovendo o turismo para mostrar exatamente esse fenômeno, que ficam muito bonitos nessa época do ano, tudo bem colorido !!

Quer saber o que fazer no Outono em Québec ? Clique aqui

Bom, como vocês viram nas fotos, junto com a mudança das cores, veio a queda das mesmas, o visual aqui está FANTÁSTICO, com letras maiúsculas mesmo !!! Quando o tempo está seco, e os carros passam levantando as folhas do chão, fica lindo demais !!! Com o tempo vou publicando mais fotos, e mais dos lugares que já conhecemos por aqui !!

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