Su & Je

As aventuras de uma família de imigrantes vivendo no Canadá

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Nascimento da Brigitte, o susto

Posted by Jeison em 17 de dezembro de 2011

Bom, tudo começou ontem (16/dez) às 6:30 da manhã quando a bolsa rompeu. Acordamos no susto, nos trocamos, fiquei andando no apartamento de um lado pro outro por alguns instantes que nem uma barata tonta até que acordei e fomos pro hospital. Apesar de toda perda de tempo, chegamos em tempo recorde, antes das 7 já tínhamos entrado.

As enfermeiras nos acolheram e fizeram alguns exames de triagem, tudo certo, batimentos ok e não estava em trabalho de parto, 10% de dilatação e não tinha nada pra se preocupar.

Depois de um certo tempo, fomos levados até um quarto de parto, que é quase como um quarto comum, a única diferença é que tem uns aparelhos a mais.

Alguns médicos residentes e enfermeiras vieram fazer o acompanhamento entre o período que chegamos até o inicio da tarde. O acompanhamento foi feito bem de perto e em nenhum momento nos sentimos jogados ou coisa assim.

Por volta das 13 horas, a medica da Su mesmo, veio dar uma olhada, e resolveu que a Su deveria se levantar e andar para estimular a dilatação que até o momento era praticamente a mesma coisa, em torno de 15%.

Passamos o resto da tarde andando nos corredores e fazendo exercícios em cima de uma bola do playcenter…
Quando a Su cansava, deitava um pouco e descansava, tínhamos certeza que estava fazendo efeito, pois ela já sentia mais dores, pressão e as contrações estavam mais intensas. As 19 horas mais ou menos, a enfermeira fez o exame e nos disse que ainda estava em 15% de dilatação, e isso foi uma bomba pra Su, pois ela queria muito o parto normal, desanimou total e queria deitar, mas convenci ela de dar mais uma volta no corredor, mas ela não conseguiu ir longe por causa da dor e voltamos pro quarto. A enfermeira veio e decidiu recolocar os monitores (batimentos do bebe, e contrações) na Su por mais meia hora enquanto ela ficava deitada.

Por volta das 20 horas, quando a enfermeira voltou, tomamos um susto, pois as contrações estavam muito mais rítmicas, intensas e menos espaçadas, após um novo exame, a ótima noticia, 30% de dilatação !!

Com a esperança renovada, ficamos lá no quarto, mas a Su não agüentou as dores intensas por muito mais tempo, e a enfermeira percebeu que ela estava prestes a desistir e lhe ofereceu para tomar a epidural. Depois de ir atras da anestesista e preparar para o procedimento, a anestesia foi aplicada por volta das 22 horas, e em poucos minutos seu efeito acabou com o sofrimento da Su, que pode relaxar e deixar as contrações fazerem seu efeito, dilatar o colo. Desse momento em diante, a enfermeira se instalou no quarto, e ficou monitora do a Su e o bebe 100% do tempo. Perto das 23, tínhamos atingido a marca dos 40% de dilatação.

A meia noite a enfermeira me perguntou se eu não queria um colchão para poder deitar um pouco, mas eu disse que não precisava, estava tudo bem. Fiquei tentando dormir na poltrona mesmo, mas por volta de meia noite e meia, ela me ofereceu novamente, e cansado do jeito que estava, aceitei.
Um pouco depois, a enfermeira saiu pra buscar o colchão, e nesse intervalo a Su teve vontade de vomitar, mas nem tive tempo de buscar a bacia no banheiro, ela vomitou deitada em cima dela mesma, e nesse momento começou nossos problemas sem que soubéssemos. Voltei com a bacia e a Su terminou de vomitar lá, mas já estava toda suja. Nesse momento voltou a enfermeira e começou a me ajudar a limpar a Su, mas de repente ela percebeu algo que não tínhamos percebido, que os batimentos cardíacos da Brigitte caíram de 150 bpm para míseros 70 bpm. Ela começou desesperadamente mudar a posição do sensor para assegurar-se que não era um erro de leitura. A freqüência cardíaca não mudou, e já em uma espécie de desespero controlado, ela gritou por socorro no corredor, soou o alarme das enfermeiras, ligou para não sei quem, e começou a gritar com varias enfermeiras para achar a doutor e chamar a equipe cardíaca. Nesse ponto, imaginem a mi há cara, que até então não tinha visto que tinha um problema com os batimentos dela, que a dois segundos, estávamos apenas limpando um simples e inofensivo vomito, que em dois segundos estava todo um carnaval montado e já com a maca saindo do quarto com um mínimo de dez enfermeiras andando em zigue-zague cruzado invertido como formigas após serem atingidas por um inseticida. Só entendia que algo muito grave estava acontecendo e que estávamos correndo em direção ao que imaginava ser o centro cirúrgico ao encontro da equipe cardíaca.
Obviamente, fui barrado na porta, uma das enfermeiras me disse pra esperar que elas me chamariam pra entrar na hora certa, eu só consegui escutar as vinte pessoas que entraram correndo na sala, batendo suas cabeças, derrubando coisas no chão, e falando todos ao mesmo tempo. Eu fiquei apenas congelado na porta do corredor, tentando escutar algo que me desse uma pista do que acontecera quando uma enfermeira me mandou tirar o pé da porta para que ela fechasse ao mesmo tempo que eu via de relance que a sala que levaram ela era uma sala de cesárea e o silencio total que havia se instaurado foi quebrado por mais cinco loucas que adentraram ao mesmo tempo que tentavam se vestir e o silencio retornou.

Acho que fiquei esperando umas oito horas nos cinco minutos seguintes até que uma enfermeira saiu para me dizer que eu ainda não podia entrar, mas que a bebe estava nascida e bem, assim como a mãe, e que em breve eu poderia entrar.

Bom, lá dentro encontrei a Brigitte já no bercinho aquecido fiquei alguns segundos admirando ela, quando a enfermeira me pediu para cortar o excesso de cordão, ok… Quando me viro pra Susana ela estava lá aberta em cima da mesa, com três médicos mexendo dentro dela, tendo uma espécie de convulsão, sim isso mesmo, ela estava tremendo tão forte que chegava a balançar a mesa de cirurgia, e aqui dou minha palavra que estou relatando o fato observado sem exagero algum, era exatamente essa cena na minha frente. Eles disseram apenas: ignore isso, é normal a anestesia provoca isso e vai logo passar. Normal?? Bom, nessa altura do campeonato, decidi ignorar sem maus perguntas…

Terminado isso, fiquei mais uns 10 minutos na sala, me deram ela ora segurar e depois mostraram pra Susana, só não deram pra ela segurar pois se dessem um copo de creme de leite pra ela segurar, viraria Chantilly.
Fui com a Brigitte para a observação, onde ela ficaria umas duas horas ainda, depois fiquei com a Su na recuperação da anestesia antes de irmos para o quarto lá pelas 3:30.

Bom, a história do nascimento foi essa, resumidamente, depois voltarei aqui para contar da parte burocrática, documentos, etc…

Mãe e filha estão bem, nasceu as 00:56 com 3,935 kgs e 52 cm.

Abraços e até breve

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